domingo, 4 de outubro de 2009

Ciclos repentinos

E a minha alma volta ao seu estado inicial.
Como um feto desenvolvendo-se,
Ela se cria.
Cuidadosamente, carinhosamente, sagazmente...
Tal qual a força de crescer, é a razão pela qual eu vivo.
Não tenho norte, nem ao menos o sul me guia.
Fico ao centro, às mercês...
E a minha alma retorna ao nascimento.
Imaginando que assim possa libertar-se,
De tudo e todos que aprisionam.
Semelhantemente como fazem os pássaros irrequietos,
Ela voa, sem rumo, para outro lugar ao sol.
E a minha alma volta a morrer.
Morre para viver o que ainda não viveu,
Passa a um plano superior de observação.
Constrói um mirante onde os olhos não vêem o além,
Mas, o presente que morre, inicia e nasce em ciclos repentinamente...


Shannon Botelho

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ciclos de Vida


Éramos nós que estávamos lá desde o inicio.
E que fazíamos as mesmas coisas todos os dias.
Éramos os confidentes da razão e as súplicas da emoção.
Éramos nós, somente nós que víamos os horizontes do além.

Os dias passavam por nós e nem assim a angústia do viver,
Transpassava a essência da labuta coletiva e indiferente.
Pela mesma indiferença que tínhamos das coisas fúteis,
Dos sonhos inúteis e dos futuros lindos, sonhados.

Sonhadores com a esperança de ver o futuro tão longe...
Amantes do atual presente passado, como se fosse uma promessa do além...
Viajantes como se embarcássemos na utopia da vida.
Mas nada adiantava.

E voltávamos ao inicio de tudo.
Encontrávamos com nossos sonhos e corpos estirados,
Pasmos, esparsos, expurgados, ressequidos, ressentidos,
Da esperança que fugiu e não deixou um rastro.

E por fim, a jornada se tornava cansativa.
Os corpos já não iam além daquilo.
As mentes não mais trabalhavam,
As falas, de largo iam.

Era realmente o nosso fim.
O fim das coisas que ficaram,
Das esperanças que não passavam
Do agora que ainda não terminou...





Shannon Botelho
Rio de Janeiro, 15 de Nov de 2008.

domingo, 23 de agosto de 2009

Coisas...

A sensação do mergulho interior não passa.
Não pelo modo repentino como as coisas passam.
Quintana um dia disse que todos que lhe atravancavam o caminho,
Todos eles passariam e ele, passarinho... Sinceramente não sei.
Comigo as coisas não passam.
Existe uma necessidade latente de libertação.
Uma expurgação dos excrementos fedidos que existem na alma...
Um rancor, uma mágoa sem fim...


Começo do poema...

Ele estava de volta.
Aquele mesmo era ele que retornava das profundas camadas, e com ele o rancor.
Toda vida, a vida toda ele esteve assim,
Não mudaria por nada, também não se sabe por que tenta mudar.
É incapaz!
Mostra a face diretamente quando ferido no ego, quando contrariado.
A falsa serenidade, a falsa modéstia, a verdadeira identidade.
Aquela cujo passado condena, que esconde, mas grita em sua cara.
Uma podre lama que jorra de dentro, que nem as orações do coração deram conta de tirar.
Não há como livrar-se disso...
Entretanto, o momento final se aproxima.
À hora em que o basta chegará.
Em que os caminhos se dividirão, sem uma rota de colisão ou um simples encontro...
Chega a hora em que o nunca mais será dito, sem nenhuma furtiva gota de remorso.
Com ele ficará a semente da terra. Que se do mesmo modo criada, também partirá quando germinar
E a grande doçura de um amor companheiro, que este por pena, espero que não se canse.
A você boa sorte...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Dúvida

Ainda te amo.
Não deixei de te amar.
Da forma alguma quero te magoar.
Não me pergunte, nem eu sei o porquê.
Tudo era sempre uma aventura,
Sempre inebriante e excitante,
Estar com você era o melhor do mundo.
Mas, sei lá por que passou.
Ah! Somos tão diferentes e tão iguais.
Eu a toda velocidade e você tão quita, parada, tão meiga, tão especial.
Você é única, sempre será.
Nunca poderá existir alguém igual a você.
Singular. É isso! Você é singular.


Vivo um momento muito estranho.
Não sei o que quero de mim.
Não sei nem das minhas expectativas, mesmo estando convicto delas.
Você era uma expectativa ou eu esperava mais de você, não sei bem.
O que sei é que estou sofrendo e você também.
Não quero te machucar.
Você é uma jóia.


Quero ser eternamente seu amigo.
O que fazemos?
Recomeçamos, nos separamos?
Queria que você desta vez dissesse.
Queria que explodisse em respostas...
Mas este é o problema, você não o faz.
Isso realmente me incomoda.
Não quero travar nossas vidas.


O que fazer?
O que dizer?
O que fazer a você?
O que fazer para não sofrer longe de você? Sei que você me ama.

O sofrimento é a única certeza neste momento.
Mas não há amor verdadeiro sem sofrer.
Não há crescimento sem uma perda.
Não mais como...
Desse jeito,
Não pode haver mais, nós...

sábado, 16 de maio de 2009

Retirando do baú das lembranças

Catei um texto que escrevi há tanto tempo... Postei, espero que gostem.




Aspergir...


Enquanto falavas,
Bebia teu ser e comia tuas palavras
Como se fosse uma fera
Solta no meio a população indefesa sem um super herói.
E teu espirito saltava ao ar,
Numa esfera invisível,
Na esfera amorosa em que via,
Tua face melódica.
E nem sei como, mas a vida do Amor
O deixou e quase morrendo,inspirava uma espécie de ar escasso sem amor,
Já que tudo tinha amor até a água que o Amor bebia, tinha amor!
E querendo ser possuído pelo amor,
Digeria aquilo, que antes comi!
Tuas palavras e Teu ser
Já não mais assustava, nem tinha importância!

Shannon BotelhoRio 26/06/2006.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

De Fauzi Arap

Eu vou te contar que você não me conhece
Eu tenho que gritar isso porque você esta surdo e não me ouve
A sedução escraviza você
Ao fim de tudo você permanece comigo mas preso ao que eu criei e não a mim
E quanto mais falo sobre a verdade inteira, um abismo maior nos separa
Você não tem um nome, eu tenho
Você é um rosto na multidão, e eu sou o centro das atenções
Mas a mentira da aparência do que eu sou, e a mentira da aparência do que você é
Porque eu não sou o meu nome e você não é ninguém
O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação
Através da aceitação da distância e do reconhecimento dela
Entre eu e você existe a notícia que nos separa
Eu quero que você me veja a mim
Eu me dispo da notícia e a minha nudez parada te denuncia e te espelha
Eu me delato, tu me relatas
Eu nos acuso e confesso por nós
Assim me livro das palavras com as quais você me veste.



sábado, 11 de abril de 2009

Lá (Poeminha de duas metades)






Era hoje e ainda estava lá,
Teu cheiro estava impregnado lá.
Tua forma marcou aquele lugar,
Notava-te, lá, como se estivesses presente.
Queria que sim, mas não foi possível.
Que aquele bem durasse toda eternidade,
Também foi meu desejo.
Pude traduzir-te, lá, mesmo de maneira simples.
Quis fazer-te feliz.

Ah! Meu amor,
Se soubesses o quanto estou feliz.
Não pelo que passou, lá, mas pelo que virá
Com o tempo e com a maturação do nosso amor.
Embora haverão muitos outros “lá”, é aqui que te quero.
Dentro de mim, viva como hoje.
Saudável como nunca.
Amada como sempre!










terça-feira, 24 de março de 2009

Poema resultante de nós dois (parte 2)


Desejo traduzir-te por completo.
Quero poder saber-te toda, como minhas mãos,
Mesmo que para conhecer-te tenha que usá-las.
Quero decifrar teu corpo,
Desvendar teus mistérios todos,
Beijar teus olhos, desejando ver-te por dentro.
Beijar tua boca, querendo ver teu coração.
Beijar teu corpo todo para vivê-lo.

Passei a amar-te mais que antes.
Posto que, o antes, era mais a cada dia.
Estou, mesmo na correria das horas infernais,
Fitando-te sempre em meus olhos.
Os meus olhos hoje, eles quiseram trair-te com tua foto.
(Por causa da tua ausência)
Sim com tua foto, na que estamos nós dois.
Você está simplesmente representada nela,
Mas ela não consegue ser o meu amor...

Você passou a ser o inexplicável.
A sensação, quando longe, do agradável
Vento que brota dos cantos.
E me vem trazer o teu amor.

É incrível que hoje existe em mim
A possibilidade de escrever quanto quiserem...
Por causa de você
Por causa de você escreveria um livro todo hoje,
Para te retratar e amar.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Poema resultante de nós dois





Eu te amo pelo poema confuso que fiz.
Semelhante a minha cabeça hoje.
Amar você, não é algo finito.

Mas sim, infinito, nos momentos únicos que passo ao seu lado.

Estar contigo,
É literalmente estar nos braços do amor,

Sendo todo e unicamente seu,
No corpo que arde em desejo e na alma que ama incessantemente.

Quero dizer o quanto te amo,
Mas não de forma convencional.
Queria confessar de forma espontânea,
Sem ser direto por demais, nem sucinto também.

Do que desejo em ti?
Desejo você!
Não lascivamente, por completo.
Mas minha ânsia é beber teu ser através dos beijos que nos doamos.

Amo-te o jeito com que me olhas,
Amo-te o jeito que me beijas,
Amo-te o jeito com que passas tua mão em mim,
Amo-te o jeito com que me apertas contra ti.

Amo-te a forma com que me sorri,
Amo-te a forma com que me sussurras ao ouvido,
Amo-te a forma com que respiras nos meus ouvidos,
Amo-te a forma corpórea tua, sem nada acrescentar.

É a tua alma que quero agarrar em mim.
É a força do amor que quero digerir em teus braços.
É o teu corpo que desejo traduzir,
Sem ferir-te o amor e fazendo-o crescer.

A tua boca necessito para mim
Para que se possa extravasar
O que em nós não findou,
Nem pode, nem deve, nem irá findar
.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Prosa sobre eu e você




Eu queria amar-te mais ainda que hoje, hoje mesmo.
Parece, mesmo quando estamos juntos,
Que não te tenho por completo.
Existe uma ansiedade de você em mim.
Nossas sombras na areia da praia,
Hoje se abraçaram tão profundamente.
Poderia dizer que era ilusão,
Mas parecia meu amor abraçando o teu.
A tua boca que tanto noto,
Ela, quando diz que me ama.
É porta voz do teu coração,
E nela, hoje, deposito parte do meu amor.
Mesmo tendo um rio de palavras,
Mesmo meu coração parecendo ser uma fonte de versos,
Sou incapaz de escrever e descrever tudo que tenho sentido e sinto.
Ainda não consigo expressar em palavras tudo isso.
Acho também que nunca conseguirei... É grande demais.
Eu te amo.
O máximo que posso dizer.
A mais, foge da beleza
E diminui muito, o que eu sinto por você.







sábado, 14 de fevereiro de 2009

Por que me deixa de ponta-cabeça






Eu não te amo só pelo que você é,
Te amo pelo que representa e faz.
Não pelos trejeitos femininos,
Nem pela beleza, que é presente,
Eu te Amo por tudo que me faz,
E ao fazer-me, fazes muito bem.
Saiba que me deixa de ponta-cabeça,
Não por motivos afins ou até explicáveis.
Não! Meu amor, meu amor transcende à explicação disso.
De ponta-cabeça, porque você faz meu mundo girar diferentemente.
E bagunça com minha mente e me faz pensar somente em você.
A toda hora e todo instante.
Creio que não vá me perguntar novamente os motivos...
Eu te amo! Somente isto basta.
Mesmo que eu não te deixe de ponta-cabeça...







terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Do medo que senti de perder-te



Se eu soubesse a razão do que senti,
Não estaria aqui escrevendo este poema livre.
Seria tão trágico, logo hoje falar do medo.
Mas foi isso mesmo que senti. Medo.
Não de coisas esparsas, mas de perder-te.
Tudo era tão pequeno, infinitamente nós dois.
E repentinamente, tudo se torna um grande universo.
Meu coração hoje bateu mais rápido, não pela emoção,
Mas pelo medo de estar longe, tempo por demais.
Não era medo do que pudesses fazer.
Era medo mesmo de perder-te. Simplesmente perder-te.

Quero que estejas sempre comigo.
Quero que tu sejas para sempre o meu amor.
A fim de descansar meu amor sobre o teu, mutuamente livres,
Todos os dias e sem medo de perdê-lo.
Para que me deixem cantar, para que façam viver...
Não se perca de mim.
Eu te amo!






segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Suas mãos



Ontem estive olhando suas mãos e percebi que elas ficam cada vez mais lindas,
E que ao pegá-las elas parecem ser tão pequenas e frágeis...
Notei também que elas não param e vivem a procurar as minhas...
Que os dedos que a elas compõem, são tão simbólicos em suas singularidades.
Que as unhas pouco estreitas e pouco compridas,
Dão o ar da suavidade e beleza às suas mãos.
São elas, meu amor, que me dizem sempre o melhor de Ti.
Elas mesmas, bastantes por elas, que no silêncio das palavras dizem amar-me.
São elas meu amor, que quero segurar por tempos e tempos...
São elas meu amor, é você!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O meu amor é assim


O meu amor não é comum.
Ele é calado, manso, observador...
Às vezes consegue assustar,
Não por maldade, nem por crueldade,
Mas por ser assim, desse jeitinho mesmo.

É enigmático...
Faz-se entender de diversas formas.
Compreende também de formas distintas.

É um tanto obscuro...
Tem no rosto sempre um sorriso,
Na testa sempre uma observação,
Na boca um beijo,
Nos olhos a esperança...

Ansioso e audaz, tudo ao mesmo tempo.
Reto em suas decisões.

É assim o meu amor...
Ela é assim... O meu amor...







Um singular pluralizado...

Todas as vezes que penso nela, Penso no singular, Amo no singular, Gosto, no plural de adjetivos que ela possui. Um singular muito pluralizado, Em que amo, Mas que não sei se também ama, E não é mais amada.
Pluralizado o singular, Onde, Não ama, Mas é amada. A complexidade, De um singular pluralizado, Não é mais nada, absolutamente nada, Além do amor!
Na monocrômica coloração do amor,falamos do singular pluralizado.Esse singular onde amo,É muito plural.Amo no singular, gosto no plural. Se todos soubessem como gosto, não falariam mais no singular. Acho também que gosto do singular no plural.
Agora já temos um texto muito plural, Onde falo do singular, Onde falo do meu amor. Amor singular e plural, Que não quero esquecer, pois agora está livre pra voar, Voar comigo em minhas asas, Em meu ser. Voar, viver, namorar.
Singular! Plural! Amar! Logo, amo somente o singular. E o singular se chama Linda. Singular ou Linda, tanto faz...Temos agora um plural, Agora sabem porquê amo no plural e no singular!