quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Ciclos de Vida
Éramos nós que estávamos lá desde o inicio.
E que fazíamos as mesmas coisas todos os dias.
Éramos os confidentes da razão e as súplicas da emoção.
Éramos nós, somente nós que víamos os horizontes do além.
Os dias passavam por nós e nem assim a angústia do viver,
Transpassava a essência da labuta coletiva e indiferente.
Pela mesma indiferença que tínhamos das coisas fúteis,
Dos sonhos inúteis e dos futuros lindos, sonhados.
Sonhadores com a esperança de ver o futuro tão longe...
Amantes do atual presente passado, como se fosse uma promessa do além...
Viajantes como se embarcássemos na utopia da vida.
Mas nada adiantava.
E voltávamos ao inicio de tudo.
Encontrávamos com nossos sonhos e corpos estirados,
Pasmos, esparsos, expurgados, ressequidos, ressentidos,
Da esperança que fugiu e não deixou um rastro.
E por fim, a jornada se tornava cansativa.
Os corpos já não iam além daquilo.
As mentes não mais trabalhavam,
As falas, de largo iam.
Era realmente o nosso fim.
O fim das coisas que ficaram,
Das esperanças que não passavam
Do agora que ainda não terminou...
Shannon Botelho
Rio de Janeiro, 15 de Nov de 2008.
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