Num lago cheio de gelo e calor,
Existem palavras sinestésicas,
Metamórficas, formadoras do eu e você.
Aguardam o desgelo do lago
Para que possam se fundir.
Ficam lá então, inertes, inconsequentes
Até que a luz gramatical as retire de lá.
Elas mesmas, por si sós, por elas, que falam,
Montam o léxico que possuis em seu
Interior e alteram sua vida.
No jogo de luz e sombras,
Ao fundo do lago que espera o desgelo,
Há um espectro em espiral cheio de letras
Que hipnotizam e fixam fonemas e formam vocábulos.
Aquelas mesmas traduzidas, se comuinicam
E comunicam o mundo paralelo entre nós.
Fazem a ponte irreal do sonho, irrealidade mais real.
Transfigura a dúvida do existir, existência menos igual.
Transforma o respeito pelo mais, no menos do nada.
Esxistirá no meio delas uma salvadora?
Haverá uma única que retifique as outras?
Montemos com a, lá; com b, bem; com d, dendê... com você, nós!
Pois, as palavras que moram no gelo dos sonhos,
Tem a capacidade concreta de formar o inexistente.
Pelas palavras que se espelham sob o gelo ultra congelado,
Latentes, gritando por nós, pela vida que nos aguarda,
Pelo jogo a se montar... Abstrato!
